Na UTI do pensamento

segunda-feira, 3 de outubro de 2011 |

Querer mudar tudo e continuar estática, relendo meus antigos poemas desencorajada a escrever novos versos. Levantar a bandeira vermelha do comunismo-coca-cola e descobrir dentro de mim que não sei o que é ser isso ou ismo. No final das contas me rompe uma inquietude, uma falta de esperanças em mim mesma, uma inconveniência entre ser eu e acreditar no que acredito.

Eu poderia escrever o "manual do comunista" sob o ar condicionado deste shopping. Ou desfilar meu "artesanato hippie" etiquetado em dólares para turistas, sob uma desculpa qualquer de distribuição de renda ou que é preciso conhecer o inimigo e fazer parte dele.

Mas ao mesmo tempo, ao mesmo tempo, essa complexidade de acreditar, saber que não estou agindo conforme a crença e me incomodar com isso não seria estar a um passo de ser salva? Mas estar a um passo de ser salva e não dar o próximo passo não seria merecer o castigo? Ah! Eu queria um cafezal pra cuidar e não ter tempo pra essa tal arte de pensar. Pensar é perigoso, já dizia meu pai.

Andei lendo Fernando Pessoa e sentindo um vazio enorme em ser tão superficialmente tudo ao mesmo tempo. Sou capitalista pobre e comunista rica, sou burguesia na zona rural e latifundiária na capital, poeta de bar, hippie de família.

Sou o tédio do domingo, só que na segunda-feira. E isso, é tão complexo de ser que já não sou nada, ou quase nada.


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