formigas

sábado, 3 de dezembro de 2016 |

Lembro que pra chegar nas ruínas do parquinho da escola era preciso passar por um buraco entre o muro e o chão, provavelmente sujar o uniforme banco de terra, provavelmente tomar bronca da professora e da mãe, mas atravessávamos.
Não lembro bem os detalhes anteriores, só que estávamos ali, peito e barriga no chão, as orelhas coladas em duas saídas do mesmo formigueiro, como sabemos que as saídas são do mesmo formigueiro? E se jogarmos água pra conferir? Aí vamos matar as formigas, então é preciso somente acreditar, pois Papai Noel, Deus e Formigas não podemos questionar muito ou nunca vamos entendê-los.
Com as orelhas ainda coladas no chão nos perguntávamos um ao outro se já tinha conseguido ouvir algo, um arrastar de folhas e patas, ou a conversa delas, mas só dava pra ouvir as crianças correndo e gritando pelo pátio.
_ O mundo é muito barulhento, por isso a gente não ouve as formigas.
_ Se a gente conseguir um lugar muito muito silencioso e escutar as formigas o que você acha que elas vão nos dizer?
_ Que somos barulhentos!
_ Eu acho que elas devem pensar que somos gigantes.
_ Nós somos!
_ Mas tem animal mais gigante que a gente, o gigante é maior que tudo e todos, nós não somos.
_ Então melhor que gigante é ser miniatura, como as formigas, que ninguém escuta seus segredos.
_ Você acredita que formigas falam entre si?

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